Em gravação e discursos no 2º turno, Flávio Bolsonaro projeta décadas da direita no poder e reformas na Constituição. Veja o impacto no Congresso, votos e limites da lei.
A reta final da disputa eleitoral ganhou mais um capítulo quente nesta semana. Em declarações e vídeos que circulam com força nas redes sociais e em eventos com parlamentares eleitos em Brasília e lideranças regionais, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) causou alvoroço ao projetar que seu grupo político pretende governar e manter a oposição longe do Palácio do Planalto “por décadas”.
Para além do tom triunfalista de campanha, a fala veio acompanhada da intenção declarada de usar o peso recorde de deputados e senadores eleitos pela direita para alterar a Carta Magna brasileira, gerando forte repercussão em veículos como g1, Folha de S.Paulo e Terra.
O peso da bancada e a promessa de hegemonia política
A confiança demonstrada pelo candidato não surgiu do nada: ela vem embalada pelos números expressivos obtidos pelo Partido Liberal no primeiro turno. A sigla assegurou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e 28 vagas no Senado a partir da próxima legislatura, tornando-se a maior força do Congresso Nacional.

Diante de apoiadores e parlamentares recém-eleitos, Flávio sustentou que essa bancada ampla garantirá a governabilidade necessária para consolidar um projeto duradouro de poder e frear o retorno da esquerda por sucessivos mandatos. Segundo ele, o objetivo seria avançar em pautas conservadoras, endurecer o combate ao crime organizado e promover reformas estruturais profundas.
Essa postura incisiva, contudo, já começa a recalibrar os planos das outras alas do Parlamento. Para entender como essas articulações mexem no tabuleiro diário do Congresso, veja a nossa cobertura completa na seção de Política Nacional.
Video do discurso de Flavio
Embora ele tenha tentado apagar, algumas pessoas salvaram, como no perfil do Influencer Jeje:
🚨APAGARAM. Mas eu salvei o vídeo. REPOSTEM!
🔥TÃO VENDO A GRAVIDADE DAS FALAS DESSE M3RD4. ELE DISSE QUE VAI FICAR DÉCADAS NO PODER. NÃO VAI TER PRA RENAN, OPOSIÇÃO, NADA…. Eles têm projeto de poder e de enriquecimento ilícito! https://t.co/JAB7KviKnN
— Jeje ✨ (@jejezaum) October 8, 2026
Mudar a Constituição por décadas: a conta fecha no Congresso?
Do palanque à prática legislativa, a distância costuma ser enorme. No sistema republicano brasileiro, ninguém governa indefinidamente sem passar pelo crivo periódico do voto popular nem aprova reformas constitucionais de forma unilateral.
Qualquer alteração na Constituição de 1988 depende de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que impõe o rito rígido de quórum qualificado previsto no artigo 60 da Carta Magna:
Ou seja: mesmo com um crescimento histórico, o partido não atinge três quintos dos votos em nenhuma das duas Casas por conta própria. Para aprovar qualquer PEC — seja sobre o sistema penal, mandatos no Judiciário ou prerrogativas institucionais —, a sigla será obrigada a negociar com partidos de centro e da centro-direita, como União Brasil, Progressistas e Republicanos, que têm agendas e interesses próprios.
O freio das Cláusulas Pétreas
Além da matemática parlamentar, há barreiras constitucionais intransponíveis. O artigo 60, parágrafo 4º, veda terminantemente deliberações que atentem contra:
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O voto direto, secreto, universal e periódico;
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A separação e harmonia entre os Poderes;
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A forma federativa de Estado;
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Os direitos e garantias fundamentais do cidadão.
Tentativas de estender mandatos fora do calendário eleitoral regular ou submeter decisões judiciais ao crivo sumário do Executivo ou Legislativo esbarram no controle de constitucionalidade do Supremo Tribunal Federal (STF).
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que Flávio Bolsonaro quis dizer ao falar sobre ‘décadas no poder’?
Em suas falas a aliados e declarações públicas, o senador projetou a continuidade da hegemonia da direita política por mandatos sucessivos, argumentando que a ampla bancada conquistada impedirá a alternância de poder com a esquerda nas próximas décadas.
2. Um presidente pode alterar a Constituição para estender seu próprio mandato?
Não. O voto periódico e a alternância democrática são protegidos como cláusula pétrea na Constituição de 1988, sendo vedada qualquer PEC que tente prorrogar mandatos sem eleição direta.
3. O PL tem maioria suficiente para mudar a Constituição sozinho?
Não. O PL conta com 121 deputados e 28 senadores. A aprovação de uma emenda constitucional exige 308 votos na Câmara e 49 no Senado em dois turnos de votação, dependendo obrigatoriamente de alianças partidárias.
4. Quais mudanças constitucionais têm sido ventiladas pela bancada?
Entre as propostas frequentemente citadas estão reformas na composição e mandatos de ministros do STF, endurecimento de normas penais contra facções criminosas e alterações em regras eleitorais.
5. O STF pode anular uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso?
Sim. O Supremo Tribunal Federal exerce o controle de constitucionalidade e tem a prerrogativa jurídica de anular emendas que violem as cláusulas pétreas ou descumpram o rito formal estabelecido pela Carta Magna.
Para acompanhar a cobertura do debate político em vídeo e conferir as declarações dos parlamentares, veja os detalhes sobre o tema no vídeo do canal Notícias RedeTV! sobre a fala de Flávio Bolsonaro.
Este registro em vídeo traz os trechos com a repercussão direta da fala do candidato e o posicionamento das lideranças parlamentares sobre as propostas para a Constituição.




