A hashtag #BetsNuncaMais domina a internet com apoio de Felipe Neto. Entenda por que a audiência de Luiz Fux sobre a MP 1.394/26 no STF gerou revolta ao excluir médicos e vítimas do vício.
Olha, não dá para tapar o sol com a peneira: o clima esquentou — e muito — nas redes sociais brasileiras neste fim de semana. Sob a hashtag #BetsNuncaMais, que disparou para o primeiro lugar nos assuntos mais comentados do país, milhares de internautas, famílias endividadas e influenciadores digitais resolveram bater o pé contra o possível retorno das plataformas de apostas esportivas e cassinos online ao Brasil.
O estopim dessa revolta toda tem nome, endereço e data marcada. Na próxima terça-feira, 3 de novembro, às 10h, o ministro Luiz Fux conduzirá uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a validade da Medida Provisória 1.394/26, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para proibir as bets em território nacional. O problema? Quando a lista de convidados do ministro veio a público, a ficha caiu para todo mundo: dos 26 participantes convocados inicialmente, nada menos que 21 têm interesse financeiro direto na volta das apostas.Enquanto clubes de futebol, emissoras de TV e associações de casas de apostas ganharam cadeira cativa, o Ministério da Saúde, conselhos de medicina, psicólogos e entidades de defesa do consumidor foram simplesmente deixados de fora.
O desequilíbrio no STF: Quem Luiz Fux chamou para o debate?
Para entender por que o caldo entornou na internet, basta dar uma olhada fria nos números consolidados por apurações de veículos como Folha de S.Paulo, G1 e JOTA. A audiência convocada no âmbito da ADI 8.027 (e que impacta outras seis ações diretas de inconstitucionalidade, como a ADI 7.721) nasceu sob o argumento de avaliar a segurança jurídica e o impacto econômico da proibição.

Na prática, porém, a bancada virou um verdadeiro balcão de negócios. Fux abriu espaço de dez minutos de fala para 10 clubes de futebol (incluindo Flamengo, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro), para a CBF, para a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e para gigantes do lobby de apostas, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a ANSEJA. Após críticas iniciais, o ministro chegou a incluir o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico do Brasil (COB), mas ignorou solenemente quem lida com o rastro de destruição humana deixado pelo vício.
Caramba, é de saltar aos olhos! Na última sexta-feira (30), oito entidades de defesa do consumidor soltaram uma nota conjunta pesada denunciando que os apostadores lesados e as famílias endividadas não terão voz no plenário. Enquanto as bets alegam que pagaram R$ 30 milhões em outorgas e que os clubes da Série A perderam quase 8% de suas receitas diretas — o que levou o Corinthians a trocar a Esportes da Sorte pela Shopee e o Atlético-MG a rescindir com a H2Bet —, a sociedade civil lembra que o buraco é muito mais embaixo.
O peso de Felipe Neto e o choque de realidade na economia
Quem jogou ainda mais lenha nessa fogueira a favor da população foi o influenciador Felipe Neto. Tendo o alcance gigantesco que tem, ele não se escondeu: fez um mea-culpa público admitindo que divulgar casas de apostas no passado foi “a pior coisa que fez na vida”, fruto de “burrice e ganância”, e declarou estar 100% fechado com a proibição definitiva e com o movimento #BetsNuncaMais.
Mais do que engrossar o caldo do protesto, Felipe Neto levantou uma lebre importantíssima para o debate regulatório: a necessidade de a Justiça bloquear perfis de influenciadores que já estão fazendo as malas para morar no exterior apenas para continuar divulgando cassinos ilegais e o famoso “jogo do tigrinho” sem risco de prisão no Brasil.
E olha que os dados econômicos pós-proibição mostram que o governo e os especialistas em saúde têm razão de sobra para bater o pé. Desde que a MP tirou do ar os 188 sites que operavam no país e bloqueou mais de 11 mil páginas clandestinas:
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Alívio imediato no bolso: Cerca de R$ 650 milhões por dia deixaram de ser drenados das contas bancárias dos brasileiros para as plataformas de jogos.
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Retomada do varejo: Redes de supermercados e atacadistas, como o Assaí, já registraram recuperação nas vendas de alimentos em regiões de menor renda logo nas primeiras semanas sem as bets.
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Freio na crise sanitária: A Advocacia-Geral da União (AGU) documentou no STF que a jogatina desenfreada estava provocando sobrecarga severa no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a quadros graves de depressão,ansiedade e ludopatia (compulsão por jogos).
Para acompanhar de perto como essa queda de braço entre o setor financeiro e o bem-estar social impacta o seu bolso,confira nossa cobertura completa na editoria de Economia e Direitos do Consumidor do Notícias RSS.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o movimento #BetsNuncaMais e o julgamento no STF
Por que a hashtag #BetsNuncaMais está nos assuntos mais comentados?O movimento explodiu nas redes sociais como um protesto popular contra a possibilidade de o STF derrubar a proibição das apostas online no Brasil, após o ministro Luiz Fux convocar uma audiência pública dominada por clubes de futebol e empresas de jogos, sem espaço para médicos e profissionais de saúde.
As bets vão voltar a funcionar no Brasil após a audiência do STF? Não imediatamente. O ministro Luiz Fux manteve a proibição da MP 1.394/26 em vigor enquanto ouve as 26 entidades convocadas no dia 3 de novembro. Qualquer decisão liminar ou acordo dependerá da análise do relator e, posteriormente, da confirmação pelo plenário do Supremo e pelo Congresso Nacional.
Quem foi convocado por Luiz Fux para a audiência pública das bets?Foram chamadas 26 instituições na lista principal, das quais 21 defendem o setor de apostas, incluindo 10 clubes de futebol (como Flamengo, Corinthians e São Paulo), a CBF, a ABERT (emissoras de rádio e TV) e associações de bets (ANJL e IBJR), além de órgãos de Estado como AGU, PGR, Fazenda e a CNC.
O que Felipe Neto falou sobre a proibição das bets?Felipe Neto declarou apoio total à proibição das casas de apostas e ao movimento #BetsNuncaMais, classificando sua antiga parceria publicitária com o setor como o maior erro de sua vida e cobrando a derrubada de contas de influenciadores que fugirem do país para divulgar jogos ilegais.
Qual foi o impacto financeiro da proibição das bets no Brasil?Com o bloqueio de 188 plataformas regulamentadas e mais de 11 mil sites ilegais desde o início de outubro, cerca de R$ 650 milhões diários deixaram de ir para as apostas — totalizando R$ 6,5 bilhões economizados pelas famílias em apenas dez dias, dinheiro que voltou a circular na compra de alimentos no varejo.




