Governadores ignoram apelo de Lula e aprovam aumento no ICMS da gasolina, diesel e gás

Os estados aprovaram o reajuste do ICMS sobre combustíveis para 2027, ignorando o pedido de alívio fiscal do governo Lula. Confira a tabela com os novos valores da gasolina, diesel e gás.

Se você já estava sentindo o peso na hora de encostar o carro no posto ou pedir um botijão lá em casa, é bom preparar o bolso porque vem mais pressão por aí. Mesmo depois dos repetidos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os estados segurem a mão nos tributos, os governadores bateram o martelo e aprovaram um novo reajuste no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis.

A decisão foi oficializada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) — órgão que reúne os secretários de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal — e publicada no Diário Oficial da União. Na prática, o imposto estadual vai subir para a gasolina, o óleo diesel e até para o gás de cozinha (GLP) a partir de 1º de fevereiro de 2027, marcando o terceiro ano consecutivo de alta na tributação estadual nas bombas

Quanto vai subir no seu bolso? Veja a tabela do novo ICMS

Para responder direto ao ponto (e sem enrolação): o maior salto será no óleo diesel, que terá um reajuste de 11,1% no imposto estadual. A gasolina e o etanol anidro terão alta de 4,5% na alíquota fixa, enquanto o gás de cozinha sofrerá elevação de 4,8%.

Governadores ignoram apelo de Lula e aprovam aumento no ICMS da gasolina, diesel e gás

Conforme os dados consolidados nos convênios do Confaz e reportados por portais como G1, Folha de S.Paulo e Terra, a nova estrutura de cobrança ad rem (valor fixo por litro ou quilo em todo o país) passa a operar nos seguintes patamares:

 

Combustível Alíquota Atual (2026) Nova Alíquota (Fev/2027) Reajuste (%) Impacto Direto por Unidade
Óleo Diesel e Biodiesel R$ 1,17 / litro R$ 1,30 / litro + 11,1% + R$ 0,13 por litro
Gasolina e Etanol Anidro R$ 1,57 / litro R$ 1,64 / litro + 4,5% + R$ 0,07 por litro
Gás de Cozinha (GLP) R$ 1,47 / kg R$ 1,54 / kg + 4,8% + R$ 0,91 no botijão de 13 kg

Olhando friamente, sete centavos na gasolina ou treze centavos no diesel podem parecer troco de bala. Mas,convenhamos, quem roda todo dia sabe que no fim do mês a conta fecha no vermelho. E tem mais: como o Brasil inteiro se move sobre rodas, encarecer o diesel em mais de 11% gera um efeito cascata imediato no frete rodoviário. Não à toa, já alertamos em nossa análise sobre como a crise nas reservas de petróleo e o custo do barril afetam a inflação no Brasil, puxando para cima o preço dos alimentos na prateleira do supermercado.

 

O cabo de guerra político: Por que os governadores ignoraram Lula?

Aqui entra o verdadeiro jogo de empurra-empurra entre Brasília e os estados. Ao longo dos últimos meses, em meio à disparada global do barril do petróleo tipo Brent — que bateu a casa dos US$ 114 impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Hormuz e os ataques a refinarias russas —, o presidente Lula pediu publicamente que os governadores reduzissem ou congelassem o ICMS para blindar o consumidor brasileiro.

Para tentar conter a inflação e afastar qualquer fantasma de paralisação de caminhoneiros, o Planalto chegou a renovar por mais 30 dias a subvenção federal de R$ 2,12 por litro para o diesel nacional (e um adicional de R$ 1,40 para o diesel importado), além de sinalizar a disposição de compensar parte da perda de arrecadação caso os estados topassem segurar o tributo.

Por que, então, os estados subiram o imposto mesmo assim? A relação de causa e efeito se apoia em três pilares fiscais e legais:

  1. Regra de cálculo automático da ANP: Pela Lei Complementar nº 192/2022, a alíquota do ICMS é unificada e recalculada anualmente com base na média móvel dos preços praticados nas bombas levantados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre fevereiro e setembro de 2026 frente ao mesmo período de 2025. Como os combustíveis subiram nas bombas por conta da guerra externa, a fórmula matemática puxou o teto do imposto para cima.

  2. Defesa do caixa estadual: Os secretários estaduais de Fazenda argumentam que abrir mão do reajuste geraria um rombo bilionário nos orçamentos locais em um momento de forte aperto nas contas públicas e de transição para o novo modelo da Reforma Tributária (CBS e IBS).

  3. Desgaste político terceirizado: Embora o ICMS seja um tributo 100% estadual — ou seja, cada centavo vai para o cofre dos governadores e prefeitos, não para a União —, pesquisas históricas de opinião mostram que a população costuma jogar a culpa da carestia dos combustíveis nas costas do presidente da República.

     

O que pode acontecer com o diesel antes de fevereiro?

Fique de olho neste detalhe dos bastidores: o comunicado do Confaz deixou uma porta entreaberta. Diante da alta volatilidade internacional dos derivados de petróleo e do desgaste político que uma alta de 11,1% no diesel provoca no setor produtivo, os secretários de Fazenda prometeram criar um grupo de trabalho para avaliar uma eventual revisão específica para o óleo diesel antes que a cobrança entre em vigor em fevereiro.

No fim das contas, porém, a regra já está publicada no Diário Oficial. Enquanto governadores protegem seus caixas para 2027 e o governo federal tenta segurar a bomba na base do subsídio temporário, quem continua pagando o pato na ponta final da mangueira é o trabalhador brasileiro.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o Aumento do ICMS dos Combustíveis

1. Quando começa a valer o aumento do ICMS sobre a gasolina, diesel e gás?Os novos valores do ICMS aprovados pelos estados entram em vigor oficialmente no dia 1º de fevereiro de 2027, respeitando o princípio da noventena (prazo mínimo de 90 dias após a publicação no Diário Oficial para que um reajuste de tributo passe a ser cobrado do consumidor).

2. Qual será o novo valor do imposto da gasolina e do diesel em 2027?A partir de fevereiro de 2027, o ICMS fixo da gasolina subirá R$ 0,07, passando de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro (+4,5%). Já o óleo diesel terá acréscimo de R$ 0,13, saltando de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro (+11,1%). No gás de cozinha (GLP), a taxa vai a R$ 1,54 por quilo, adicionando R$ 0,91 ao botijão de 13 kg.

3. Quem decide o aumento do ICMS dos combustíveis: Lula ou os governadores?A decisão é exclusiva dos governadores estaduais e do Distrito Federal, por meio do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). O ICMS é um tributo de competência estadual; portanto, o governo federal não tem poder legal para impedir o reajuste, podendo apenas negociar politicamente ou reduzir tributos federais (como PIS/Cofins).

4. Por que o ICMS dos combustíveis subiu pelo terceiro ano seguido?O reajuste anual ocorre porque o cálculo do ICMS leva em consideração a variação média dos preços dos combustíveis nas bombas medidos pela ANP entre fevereiro e setembro. Como os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu encareceram o petróleo em 2026, a média anual subiu, servindo de base para os estados atualizarem a tabela.

5. Como o aumento do ICMS no diesel afeta a inflação e o preço dos alimentos?Como mais de 60% das cargas no Brasil são transportadas por caminhões movidos a óleo diesel, a alta de 11,1% no imposto estadual eleva diretamente o custo do frete e dos pedágios. Esse custo logístico adicional é repassado pelos produtores e distribuidores para o preço final de alimentos, bens industriais e passagens de ônibus urbanos.

Fontes e referencias – 

https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/29/icms-gasolina-diesel-gas-de-cozinha.ghtml

https://www.folhape.com.br/politica/estados-aprovam-aumento-do-icms-sobre-gasolina-diesel-e-gas-de/521103/

 

Analice Gomes é Jornalista e redatora, sendo presente na área ha anos atuando em variso sites na Internet. Aqui ela é responsavel por varias seções de noticias sempre com seu toque especial.

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