Com o 2º turno chegando, vídeos e áudios falsos feitos com IA se espalham no WhatsApp. Veja 6 sinais de deepfake, como checar pelo celular e onde denunciar.
Chegou no grupo da família um vídeo de candidato dizendo algo absurdo? Ou um áudio com a voz idêntica à de um político anunciando o fim de um benefício? Antes de encaminhar, desconfie. Com a inteligência artificial, criar vídeos e áudios falsos e convincentes ficou barato e rápido, e a reta final de campanha é o momento preferido para espalhar esse tipo de conteúdo.
O problema cresceu: o número de processos ligados a desinformação e propaganda digital irregular nas eleições de 2026 quase triplicou em relação a 2022, de cerca de 3.400 para 9.571. A lista inclui temas como deepfakes e uso de inteligência artificial.
A boa notícia é que dá para checar boa parte desses conteúdos em poucos minutos, pelo próprio celular. E vale para qualquer lado: deepfake não tem partido, e os dois campos já foram alvo de boatos.
O que é deepfake?
Deepfake é um vídeo, foto ou áudio criado ou alterado por inteligência artificial para mostrar uma pessoa real dizendo ou fazendo algo que ela nunca disse nem fez. A técnica pode trocar o rosto de alguém, sincronizar a boca com uma fala inventada ou clonar a voz a partir de poucos segundos de gravação.

Na eleição, o formato mais perigoso nem sempre é o vídeo. Áudios com voz clonada são mais fáceis de fazer e mais difíceis de checar, porque não há imagem para comparar.
6 sinais de que o vídeo pode ser deepfake
1. Boca e voz fora de sincronia
Repare se os lábios acompanham exatamente as sílabas. Em deepfakes, a boca costuma “deslizar” ou ficar borrada em palavras com P, B e M, que exigem fechar os lábios.
2. Rosto estranho nas bordas
Observe o contorno do rosto, o cabelo, as orelhas e o pescoço. Bordas que tremem, pele lisa demais ou um rosto que parece “colado” sobre o corpo são sinais clássicos. Óculos, brincos e dentes também costumam sair deformados.
3. Piscadas e expressões que não combinam
A pessoa pisca pouco, de forma mecânica, ou a expressão não acompanha o que está sendo dito? Alguém falando de algo grave com o rosto neutro, ou sorrindo fora de hora, merece desconfiança.
4. Voz sem respiração ou com tom robótico
Nos áudios, preste atenção em falas sem pausa para respirar, ritmo uniforme demais, sotaque que muda no meio ou palavras pronunciadas de um jeito estranho. Ruído de fundo que some e volta também indica montagem.
5. Nenhuma fonte, só “recebi no grupo”
Conteúdo verdadeiro de candidato costuma aparecer em mais de um lugar: perfis oficiais, imprensa, transmissões. Se o vídeo só existe em grupos de WhatsApp, com a etiqueta “Encaminhado com frequência” e sem dizer onde nem quando foi gravado, o sinal é de alerta.
6. Feito para dar raiva ou medo
Mensagens com urgência (“compartilhe antes que apaguem!”, “a mídia está escondendo”) e conteúdo que provoca indignação imediata são a receita da desinformação. Quanto mais o vídeo mexe com você, mais vale checar antes de passar adiante.
Como checar pelo celular em 2 minutos
- Pesquise a frase principal no Google, entre aspas. Se um candidato realmente disse algo polêmico, a imprensa terá noticiado.
- Use o Google Lens: tire um print de um quadro do vídeo e faça a busca reversa pela imagem. Muitas vezes aparece o vídeo original, com outro áudio ou em outro contexto.
- Procure nas agências de checagem: Fato ou Fake (g1), Agência Lupa, Aos Fatos, Estadão Verifica e Projeto Comprova publicam verificações todos os dias durante a campanha.
- Confira os perfis oficiais do candidato e do partido. Se o conteúdo não está lá, nem foi noticiado, desconfie.
- Vídeo antigo com legenda nova: nem toda mentira usa IA. Muitas vezes é um vídeo real, de outro ano ou outro contexto, com uma legenda falsa. A busca reversa ajuda a descobrir isso.
Aqui no site, reunimos checagens de boatos na editoria de Fake news. Casos como o de que a carteira de motorista iria mudar e exigir nova autoescola mostram como uma informação falsa se espalha rápido quando mexe com o bolso. Nas eleições passadas, boatos atingiram candidatos de lados opostos, como os de que Lula fecharia igrejas e de que Bolsonaro já teria sido preso.
O que diz a lei sobre deepfake na eleição
As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbem o uso de deepfake na propaganda eleitoral e exigem que qualquer conteúdo de campanha feito ou alterado com inteligência artificial traga um aviso claro sobre isso. Usar deepfake para prejudicar ou favorecer candidato pode levar à remoção do conteúdo e até à cassação do registro ou do mandato de quem se beneficiou.
Quem apenas compartilha também não está livre de problema: espalhar conteúdo sabidamente falso sobre candidato pode gerar responsabilização. Na dúvida, não encaminhe.
Onde denunciar
- No WhatsApp: abra a conversa, toque no nome do contato ou grupo e use Denunciar. Avise também quem enviou que o conteúdo é falso, com o link da checagem.
- No TSE: o tribunal mantém um canal de denúncias de desinformação contra o processo eleitoral no site oficial (tse.jus.br).
- Propaganda irregular: o aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, recebe denúncias de propaganda eleitoral irregular.
- Nas redes sociais: Instagram, Facebook, TikTok, YouTube e X têm a opção “Denunciar” para conteúdo enganoso ou manipulado.
Perguntas frequentes
Como saber se um áudio de WhatsApp foi feito com IA?
É mais difícil que com vídeo. Desconfie de voz sem respiração, ritmo uniforme demais e palavras pronunciadas de forma estranha. Sobretudo, desconfie de áudio que não aparece em nenhum canal oficial nem na imprensa. Se é bombástico e só existe no WhatsApp, a chance de ser falso é alta.
Existe aplicativo que detecta deepfake?
Existem ferramentas, mas nenhuma é 100% confiável, e as técnicas de IA evoluem rápido. A checagem de fonte, a busca reversa e as agências de checagem ainda são o método mais seguro para o público em geral.
Compartilhar deepfake sem saber é crime?
Quem cria e quem usa deepfake em propaganda eleitoral pode ser punido. Quem compartilha sem saber dificilmente é responsabilizado, mas ajuda a espalhar a mentira. Por isso a regra é simples: na dúvida, não encaminhe.
Deepfake só acontece com político?
Não. Golpistas também usam voz e rosto clonados de famosos para anunciar falsos investimentos, e de parentes para pedir Pix. Os mesmos sinais deste guia servem para esses casos.
Fonte do dado sobre processos: levantamento divulgado em 13 de outubro de 2026 (Diário do Grande ABC). Antes de publicar, vale conferir no site do TSE o nome e o link atual do canal de denúncias de desinformação.




