7 Fatos e Provas documentais das ligaçoes de Flávio Bolsonaro e milícias no Rio

Entenda a fundo os 7 fatos documentados pelo MP-RJ, COAF e Polícia Federal sobre a relação do gabinete de Flávio Bolsonaro com acusados de integrar milícias.

Olha só, não é de hoje que os bastidores da política fluminense rendem histórias cabeludas de deixar qualquer um de queixo caído. Mas quando o assunto envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e as investigações sobre grupos paramilitares no Rio de Janeiro, a coisa ganha um peso gigantesco. Afinal de contas, o que é conversa de bastidor e o que está, de fato, cravado nos autos do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), da Polícia Federal (PF) e nos relatórios do COAF?
Para separar o joio do trigo com base nas apurações amplamente documentadas por veículos como G1, Folha de S.Paulo e Terra, preparamos um raio-x completo. Vale lembrar que, à medida que o senador consolida seu peso político — o que leva muitos eleitores a buscarem como ficam os concursos públicos se Flávio Bolsonaro ganhar espaço nas decisões do Executivo —, revisitar o histórico de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) é essencial para entender os desdobramentos jurídicos que o cercam.

Os 7 Fatos Documentados pelas Investigações Oficiais

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7 Fatos e Provas documentais das ligaçoes de Flávio Bolsonaro e milícias no Rio
Entenda a fundo os 7 fatos documentados pelo MP-RJ, COAF e Polícia Federal sobre a relação do gabinete de Flávio Bolsonaro com acusados de integrar milícias.

A relação entre o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj e agentes de segurança posteriormente apontados como integrantes de milícias não surgiu do nada; ela foi mapeada por quebras de sigilo bancário, registros do Diário Oficial e relatórios de inteligência financeira. Confira os 7 pontos centrais que se repetem nos autos:

  1. A Medalha Tiradentes entregue no cárcere a Adriano da Nóbrega: Em 2003, Flávio Bolsonaro concedeu uma moção de louvor ao então capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega. Dois anos depois, em setembro de 2005, o parlamentar foi pessoalmente ao Batalhão Especial Prisional (BEP) entregar a Medalha Tiradentes — a maior honraria do estado do Rio — a Adriano, que estava preso preventivamente sob acusação de homicídio. Anos mais tarde, o MP-RJ apontou Adriano como líder do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel ligado a milícias na Zona Oeste (Rio das Pedras e Muzema), até sua morte em uma operação policial na Bahia em 2020.

    Jornal GGN+ 2

     

  2. Emprego da mãe e da ex-esposa do ex-capitão no gabinete: Isso aqui não é fofoca, está registrado na folha da Alerj. A ex-esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Costa, foi nomeada no gabinete de Flávio em 2007 (permanecendo até novembro de 2018), e a mãe do ex-PM, Raimunda Veras Magalhães, ocupou cargo comissionado entre 2015 e 2018. Ambas recebiam salários líquidos em torno de R$ 5,1 mil e foram apontadas pelo MP-RJ como funcionárias fantasmas.

    G1 – Globo

     

  3. Repasses financeiros das pizzarias para Fabrício Queiroz: Com a quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça, os promotores identificaram que a conta de Fabrício Queiroz — ex-PM, amigo de longa data da família e operador financeiro do gabinete — recebeu transferências diretas de empresas controladas por Adriano da Nóbrega em nome de sua mãe. A Pizzaria Tatyara Ltda repassou R$ 45.330, enquanto o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda transferiu R$ 26.920. No total, o MP rastreou cerca de R$ 400 mil movimentados entre os familiares de Adriano e o esquema operado por Queiroz.

     

  4. Diálogos interceptados para “esconder o rastro”: Quando o relatório do COAF veio à tona no fim de 2018, bateu o desespero nos bastidores. Mensagens extraídas pela investigação mostram Queiroz orientando Danielle Mendonça sobre sua exoneração para evitar que a imprensa ligasse o nome de Adriano ao de Flávio Bolsonaro.“Estão fazendo um pente-fino nos funcionários e na família deles. Cuidado com o que vai falar no celular”, escreveu Queiroz em mensagem anexada ao inquérito.

     

  5. Homenagens ao Major Ronald Pereira, alvo da Operação Intocáveis: Além de Adriano, outro nome pesado condecorado por Flávio Bolsonaro na Alerj (em 2004) foi o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira. Em janeiro de 2019, o major Ronald foi preso na Operação Intocáveis, do MP-RJ e da Polícia Civil, acusado de chefiar a grilagem de terras e construções ilegais da milícia na Muzema.

     

  6. Os “Gêmeos da PM” na segurança pessoal e no gabinete: Durante seus mandatos estaduais, a escolta de Flávio contou com os policiais militares Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Em 2018, a dupla foi presa na Operação Quarto Elemento, acusada de integrar uma milícia que extorquia comerciantes na Baixada Fluminense. Além deles, a irmã dos policiais chegou a ocupar cargo comissionado na estrutura parlamentar da Alerj.

     

  7. Emenda parlamentar solicitada por “Peixe”: Mais recentemente, um relatório da Polícia Federal revelou que Robson Calixto Fonseca, o “Peixe” (ex-PM condenado por integrar a organização criminosa ligada ao caso Marielle Franco), articulou em 2023 o envio de um ofício ao gabinete de Flávio no Senado. O pedido resultou na destinação de quase R$ 200 mil em emenda parlamentar para um projeto esportivo na Taquara, Zona Oeste do Rio. Nas mensagens interceptadas pela PF, Peixe se referia ao parlamentar como “nosso senador”.

     

Resumo Analítico: Conexões, Provas e Posição da Defesa

Para facilitar a leitura e o cruzamento de dados sobre cada episódio investigado, confira na tabela abaixo a relação direta de causa, prova material:

Personagem / Caso Vínculo com o Mandato Prova Material nos Autos
Adriano da Nóbrega (Ex-Bope) Condecorado em 2003 e 2005 (Medalha Tiradentes entregue na prisão). Registros oficiais da Alerj e admissão de visita institucional em 2005.
Raimunda e Danielle (Mãe e ex-esposa) Assessores comissionados no gabinete da Alerj (2007 a 2018). Folha de pagamento da Alerj, COAF e repasses de R$ 72,2 mil de pizzarias.
Major Ronald Pereira Homenageado com moção de louvor na Alerj em 2004. Diário Oficial da Alerj e denúncia da Operação Intocáveis (2019).
Alan e Alex Oliveira(“Gêmeos da PM”) Atuaram na segurança do parlamentar; irmã lotada no gabinete. Prisão na Operação Quarto Elemento (MP-RJ) e registros da Alerj.
Robson Calixto (“Peixe”) Solicitou emenda de R$ 200 mil ao gabinete no Senado (2023). Mensagens extraídas pela Polícia Federal (“Ofício nº 002-2023”).

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o Caso

1. Qual era a relação de Flávio Bolsonaro com Adriano da Nóbrega? Flávio Bolsonaro homenageou o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega duas vezes na Alerj (2003 e 2005), entregando a Medalha Tiradentes enquanto o policial estava preso. Além disso, o gabinete de Flávio empregou a mãe e a ex-esposa de Adriano por mais de uma década. O senador afirma que as homenagens se deveram a registros operacionais da PM e que as contratações foram feitas por seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

2. Como o dinheiro de pizzarias ligadas à milícia chegou ao caso das rachadinhas? Segundo a quebra de sigilo bancário do MP-RJ, duas pizzarias nas quais a mãe de Adriano da Nóbrega figurava como sócia (Pizzaria Tatyara e Rio Cap) transferiram mais de R$ 72 mil diretamente para a conta de Fabrício Queiroz, apontado pelos promotores como o operador financeiro do esquema de devolução de salários no gabinete de Flávio.

3. Por que o processo das rachadinhas contra Flávio Bolsonaro foi anulado? A denúncia apresentada pelo MP-RJ em 2020 foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) porque os tribunais entenderam que o juiz de primeira instância, Flávio Itabaiana, não tinha competência para autorizar as quebras de sigilo fiscal e bancário devido às regras de foro privilegiado da época. Portanto, as provas financeiras foram invalidadas por vício processual, sem julgamento do mérito.

4. O que foi a Operação Intocáveis e como ela esbarrou no gabinete de Flávio? Deflagrada em janeiro de 2019 pelo MP-RJ e pela Polícia Civil, a Operação Intocáveis mirou a cúpula da milícia de Rio das Pedras e da Muzema. Dois dos principais alvos da operação — Adriano da Nóbrega e o major Ronald Pereira — haviam sido condecorados no passado por Flávio Bolsonaro na Alerj, e familiares de Adriano haviam acabado de ser exonerados do gabinete do parlamentar dois meses antes da operação.

5. Flávio Bolsonaro já foi condenado pela Justiça por envolvimento com milícias? Não. Apesar de os fatos documentais (moções de louvor, nomeações na Alerj, repasses a Queiroz e ofícios de emendas) constarem em relatórios oficiais do COAF, do MP-RJ e da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro nunca foi denunciado criminalmente como integrante de milícia e nega veementemente qualquer pacto ou conivência com grupos paramilitares.

Fontes e Referências Documentais

Para garantir total transparência e rigor jornalístico, os dados, valores e registros citados neste artigo foram cruzados a partir de inquéritos públicos e reportagens investigativas dos principais veículos de imprensa do país. Confira as fontes originais:

  1. G1 (Repasses das pizzarias a Fabrício Queiroz e nomeações na Alerj): Queiroz recebeu dinheiro de pizzarias de chefe do Escritório do Crime, diz Ministério Público

  2. G1 / Jornal Nacional (Denúncia do MP-RJ e movimentação de R$ 400 mil): Denúncia contra Flávio Bolsonaro aponta que miliciano Adriano era parte do esquema de ‘rachadinha’

  3. G1 (Prisão do Major Ronald Pereira e Operação Intocáveis): Para a polícia, prisão na Operação Intocáveis é estratégica para investigação

  4. G1 (Condecoração com a Medalha Tiradentes em 2005 e defesa de Flávio Bolsonaro): Posicionamento sobre a entrega da Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega

  5. Portal Terra (Pronunciamento oficial de Flávio Bolsonaro sobre Adriano da Nóbrega): Flávio Bolsonaro quebra silêncio sobre morte de ex-policial militar

  6. Portal Terra (Questionamentos na sabatina sobre vínculo familiar no gabinete e anulação de provas): Flávio Bolsonaro responde sobre relação com Adriano da Nóbrega e emprego de familiares

Analice Gomes é Jornalista e redatora, sendo presente na área ha anos atuando em variso sites na Internet. Aqui ela é responsavel por varias seções de noticias sempre com seu toque especial.

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