Mensagens virais afirmam que o ministro André Mendonça teria mandado soltar criminosos por “vingança” contra o Supremo. Apuração com base no G1, Folha e Terra revela o que é boato e o que de fato está por trás da maior crise institucional do tribunal.
O fogo nos bastidores de Brasília e o boato que tomou a internet
Gente, segura o queixo, porque o clima na Praça dos Três Poderes pegou fogo de vez e não dá nem tempo de respirar! Nos últimos dias, uma onda de publicações inflamadas nas redes sociais e correntes de mensagens dispararam o boato de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, teria passado uma canetada geral libertando criminosos perigosos como forma de “se vingar” dos seus colegas de tribunal. A história correu como pólvora, atiçando torcidas políticas e deixando meio mundo em polvorosa.

Mas vamos botar os pingos nos is logo de cara: isso é conversa fiada. Nenhum ministro abriu as celas para afrontar o plenário, e a afirmação de que houve uma soltura em massa de detentos por puro revanchismo é totalmente falsa. O que está acontecendo de verdade nos gabinetes de Brasília, contudo, é ainda mais tenso: uma guerra aberta de bastidores, com decisões explosivas, troca de farpas e uma crise institucional sem precedentes que colocou Mendonça em rota de colisão direta com a cúpula da Corte e da Polícia Federal.
André Mendonça soltou criminosos para se vingar do STF?
Para entender como a desinformação ganha corpo, vale a pena olhar como o telefone sem fio funciona nas redes. O boato da suposta libertação de criminosos pegou carona na repercussão de decisões recentes de Mendonça como relator do Caso Master (que investiga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro) e em leituras distorcidas sobre votos técnicos em matérias penais.
Nas últimas semanas, Mendonça autorizou ajustes cautelares, como a transferência de Vorcaro para a carceragem da PF e regras para visitas de advogados, o que bastou para setores da oposição e da militância virtual transformarem pedidos jurídicos regulares em uma narrativa mirabolante de “libertação por afronta”. Além disso, resgataram votos divergentes históricos do magistrado — como o julgamento da competência do tribunal nos atos de 8 de janeiro — para pintar um cenário de rebelião solitária.
A realidade factual, reportada pelos principais portais de notícias como G1, Folha de S.Paulo e Terra, mostra o oposto: na esfera penal, Mendonça sempre manteve uma postura linha-dura, tendo inclusive votado por condenações severas por abolição do Estado Democrático de Direito e sustentado repetidas vezes que chefes de organizações criminosas devem permanecer encarcerados.
A verdadeira bomba: Afastamento da PF e fogo cruzado no STF
Se a história da soltura de presos é boato, o racha interno no Supremo é puramente real — e está longe de ser brincadeira de criança. O estopim da crise ocorreu quando o ministro André Mendonça tomou a decisão drástica de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
[Imagem 2: Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) com iluminação dramática sob céu nublado, intercalada com o logotipo da Polícia Federal]
Na decisão, Mendonça justificou a medida apontando suspeitas de que relatórios de inteligência da corporação estariam sendo produzidos e direcionados para monitorar a conduta funcional de ministros do próprio STF. O magistrado chegou a citar a clássica distopia 1984, de George Orwell, para denunciar o que classificou como desvio de finalidade do aparelho policial.
Não parou por aí: Mendonça ainda derrubou o sigilo e liberou para análise do plenário um relatório bombástico da PF que cita diálogos de Daniel Vorcaro e menciona contatos com o entorno do ministro Alexandre de Moraes. A jogada caiu como uma granada no colo da Corte. A Advocacia-Geral da União (AGU) reagiu prontamente contestando a competência da decisão monocrática, enquanto um grupo de 13 ministros aposentados do STF — nomes de peso como Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Ayres Britto — enviou um manifesto ao presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando apuração rigorosa e imediata para conter aquela que já é chamada de a “mais aguda crise” da história recente do tribunal.
O que vem pela frente no tabuleiro do Judiciário?
O clima entre os magistrados é de cortar com faca. Nos bastidores, fala-se abertamente em quebra de protocolo e perda de confiança mútua. Enquanto a Segunda Turma e o plenário tentam se articular para modular os efeitos das decisões de Mendonça e votar pedidos de vista, a crise reverbera no Congresso Nacional e no meio da corrida eleitoral.
No fim das contas, a internet transformou um choque de poderes real e espinhoso em uma manchete sensacionalista sobre criminosos soltos. A disputa em Brasília não é sobre abrir portas de penitenciárias, mas sim sobre quem dita os rumos das investigações e até onde vai o poder de fiscalização mútua entre os próprios ministros do tribunal mais poderoso do país.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. André Mendonça realmente libertou vários criminosos para afrontar o STF?
Não. Essa afirmação é falsa e não possui qualquer respaldo na realidade ou nas apurações da imprensa profissional (G1, Folha de S.Paulo, Terra). O ministro não concedeu soltura coletiva a presos para retaliar o STF.
2. Qual foi a decisão recente mais polêmica tomada por André Mendonça?
A decisão de maior impacto foi a determinação de afastamento temporário do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, além da liberação ao plenário de relatórios da PF que citam bastidores do Caso Master.
3. De onde surgiu o boato sobre soltura de presos?
A desinformação ganhou tração nas redes sociais a partir de distorções de despachos técnicos na custódia de investigados do Banco Master e de votos técnicos antigos do ministro em recursos penais.
4. Como os outros ministros do STF reagiram às ações de Mendonça?
O episódio gerou enorme consternação interna. O presidente do STF, Edson Fachin, abriu procedimentos para colher respostas dos envolvidos, a AGU entrou com recurso contra o afastamento da cúpula da PF e 13 ex-ministros do STF assinaram um manifesto pedindo providências urgentes.
5. Qual é a posição habitual de André Mendonça sobre cumprimento de penas?
Historicamente, tanto em seus votos no STF quanto em sua atuação prévia na AGU e no Ministério da Justiça, Mendonça defende teses de rigor penal, inclusive se manifestando contra a soltura automática de chefes de facções criminosas e apoiando condenações por crimes contra o Estado Democrático.
Referencias -. Globo.com




